Mais de metade dos alunos deslocados no Porto recorrem ao mercado de arrendamento paralelo

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Falta de acesso aos apoios são uma realidade e o desespero por um teto conduz a condições precárias. Estudantes pedem soluções

Indignação dos estudantes patente nas palavras de luta dos cartazes espalhados pela cidade

Os cerca de 13 mil estudantes deslocados da Universidade do Porto não conseguem garantir alojamento para viver durante o ano letivo. A oferta pública é limitada e o preço médio das rendas ronda os 425 euros, valor inacessível para muitas famílias. O arrendamento no mercado paralelo é opção para cerca de metade do alunos, revelam as conclusões de um estudo da Federação Académica do Porto (FAP).

Ao ingressar no Ensino Superior, Joana Gonçalves pesquisou as diferentes opções que podia ter de apoio ao alojamento. “O sistema acaba por oferecer ajudas, mas são impossíveis de conseguir”, lamenta. “Sabemos que em cidades cheias de estudantes os senhorios não passam recibo. É tudo por baixo e tudo combinado sem contratos. Acaba por não haver ajudas no alojamento”, acrescenta.

De acordo com a FAP, cerca de 10% dos estudantes não concluíram a matrícula no Ensino Superior. Não sendo possível identificar “todos os motivos” que levaram os alunos a desistir, as dificuldades de alojamento terão pesado em algumas decisões.

Segundo Liliana Costa, estudante na Universidade do Porto, é necessário criar condições para que os alunos sejam motivados a continuar os estudos. A aluna, natural dos Açores, é confrontada com esta realidade diariamente. “Crise da habitação todo o país tem. Mas é muito difícil arranjar quartos e alojamentos acessíveis para estudantes”, partilha. “A vida aqui torna-se muito cara só para tirar um curso”, lamenta Liliana Costa.

“A vida aqui torna-se muito cara só para tirar um curso”

Liliana Costa

Segundo a FAP, há registos de burlas, na sequência das quais os alunos estiveram sujeitos “a condições não condignas; tiveram propostas alojamento em garagens e exigência de dois a três meses de adiantamento de renda”.

Para contrariar este cenário, a FAP está a desenvolver vários projetos. Recentemente, estabeleceu um protocolo com o Santander Universidades para atribuir 40 bolsas de estudo e estão a ser desenvolvidos projetos habitacionais, incluindo a Residência Academia 24 e o projeto “Aconchego”, em colaboração com o Município do Porto.

“O Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior tem em vista a expansão e melhoria da oferta pública. Este plano apresenta um conjunto de metas até 2026, traduzindo-se em 1767 novas camas, incluindo reabilitadas”, esclarece a FAP.