Número de árbitras portuguesas aumentou nos últimos sete anos

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Aposta no futebol feminino potenciou crescimento da arbitragem feminina

O número de árbitras portuguesas tem crescido desde 2016, fruto da aposta no futebol feminino por parte da Federação Portuguesa de Futebol e respetivas Associações Distritais.

Imagem: Liga BPI Facebook

“O aumento do número de árbitras é essencial para a afirmação da arbitragem feminina, uma vez que as competições femininas em Portugal têm crescido muito em número de provas e de jogos”, afirma Ana Raquel Brochado, responsável pela arbitragem feminina da FPF. “A passagem de uma para quatro categorias nacionais nos últimos sete anos e a aposta na tecnologia VAR” obrigou à organização do setor, detalha.

Ana Raquel Brochado, responsável pela arbitragem feminina em Portugal e vogal do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol

Ana Brochado diz que a evolução da arbitragem feminina aconteceu a partir da “alteração dos regulamentos para proteger e fomentar a carreira das mulheres na arbitragem”. Para que casos como o de Cátia Duarte não voltasse a acontecer. Árbitra há 24 anos, foi uma das primeiras a querer conciliar a atividade com a maternidade. Como à época a situação não estava contemplada no regulamento, desceu do nacional para o distrital.

Cátia Duarte, árbitra CF1

A FPF, numa aposta sem paralelo no futebol feminino internacional, investiu na tecnologia VAR nos jogos da Liga BPI. A forma de arbitrar sofreu mudanças e as árbitras sentiram dificuldades na adaptação. A árbitra Cátia Duarte explica: “Sou árbitra há 24 anos, e adaptar a minha forma de arbitrar a uma nova tecnologia VAR não é fácil”. Cristiana Costa, assistente do quadro nacional desde 2021, testemunha também o quanto lhe foi difícil adaptar-se a esta nova forma de arbitrar: “A adaptação não foi muito fácil. Nós, as assistentes, tivemos de começar a retardar a nossa tomada de decisão no fora de jogo”.

Cristiana Costa, árbitra assistente do quadro AACF

A presença da arbitragem feminina em jogos de futebol masculino remonta a 1976, visto que “até aos anos 90 as competições femininas eram quase inexistentes”, refere Ana Brochado. Na época atual 23/24, existem cinco assistentes internacionais na competição profissional de futebol masculino, na 2.ª Liga. Pela primeira vez, em 2023, uma das árbitras assistentes internacionais tornou-se a primeira mulher a arbitrar a 1.ª Liga. No final da época 22/23, uma árbitra concorreu com candidatos masculinos às competições nacionais masculinas, conseguindo ver o seu nome num dos quadros.

Ana Brochado afirma que “a arbitragem feminina vive, em Portugal, momentos de oportunidade impensáveis e possivelmente irrepetíveis, que fazem acelerar um processo de desenvolvimento que, de outra forma, seria bem mais moroso”.