Viver além fronteiras em Tempos de Pandemia

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Viver além fronteiras em Tempos de Pandemia

[Texto: Bárbara Dias]

“É pena muitas pessoas ainda não terem consciência do que realmente estamos a viver”

Passaram três meses desde que passamos a viver uma Pandemia. Passaram três meses desde que nos vimos de certa forma forçados a viver “fora da caixa” com uma rotina completamente diferente. Soou um alerta nos quatro cantos do mundo assim que os primeiros casos começaram a surgir e se tornou algo realmente contagioso.

Passámos a viver de uma forma complexa e restrita. Perdemos a liberdade e passámos a olhar para o mundo lá fora com mais atenção, passámos a usar os telemóveis, as redes sociais e passámos até mesmo a assistir ao telejornal de uma forma mais atenta. Passámos a valorizar um lado da vida e também da liberdade que tínhamos outrora, mas que de repente, sem aviso, um vírus ainda com teses por concluir, nos bateu à porta e nos fez viver com medos e inseguranças.

Hoje, dia 17 de junho de 2020, estamos a viver uma realidade um pouco diferente e mais livre, mas que ainda assim nos enche de restrições e regras. Passámos de Estado de Emergência a Estado de Calamidade. O comércio reabriu lentamente, assim como museus, bibliotecas, centro comerciais e a livre circulação tornou-se possível dentro dos limites de segurança. Apesar de estarmos a regressar lentamente a uma realidade que jamais será igual à que vivenciáramos (…) tentamos de uma forma ou de outra, com alento, voltar a ter um pouco de “olfato” e sentir a ar puro.

No dia em que Tânia Reis nos cedeu o seu testemunho do que estava a vivenciar em Londres, os dias que se contavam eram outros.

Fotografia cedida por Tânia Reis
©Direitos Reservados

Tânia tem 31 anos, e é natural de Santo Tirso. Vive em Londres há cerca de seis anos, com o seu marido e com o seu bebé de apenas um ano de idade.

Trabalha num hospital público, no Bart’s Hospital. É técnica em cardiopneumologia, mas trabalha mais precisamente na área de cardiologia.

Num tom um pouco nostálgico, calmo e pausado, Tânia descreve-nos a situação em Londres na altura em que nos cedeu o seu testemunho e a sua rotina de extrema ambiguidade.

No seu testemunho retratou o momento que estava a vivenciar. Encontra-se em casa com o seu bebé de um ano de idade, pois as creches fecharam devido à situação pandémica que se está a vivenciar.

Conta-nos que a situação que estão a viver em Londres é semelhante à de Portugal, onde vários estabelecimentos se encontram fechados. Apenas estabelecimentos para consumo de primeira necessidade se encontram em funcionamento, como supermercados e farmácias.

Confidencia-nos que a situação que está a viver não é fácil, até porque o seu marido trabalha num hospital, embora não seja um ponto de referência para doentes com covid por se tratar de um hospital privado. Porém, mostra-se receosa pelo facto de o seu marido estar em contacto constante com o exterior e com outras pessoas.  

Pelo som ambiente ao longo do seu testemunho, vamos tendo a perceção de que se encontra na sua casa. Ouvem-se sons que parecem vindos de uma televisão. A par disso, encontramos o som pacífico e calmo que a rodeia naquele momento. O seu tom de voz é minucioso, talvez esteja com o seu bebé, e de forma a não o “perturbar”, a sua voz lança palavras silenciosas.

Tânia espera ansiosamente que tudo isto que se está a vivenciar se resolva o mais rapidamente possível. De uma forma mais aborrecida, fala sobre o facto de ainda existir quem não cumpra com as normas de isolamento e segurança.

Quando enumera o que mais gostava de fazer, como jantar num restaurante, estar com os amigos, a sensação que nos transmite é de tristeza e aborrecimento, porque algo que esta situação nos veio trazer foi a saudade.

Num tom melancólico, espera, num futuro próximo, voltar à sua rotina e coisa que antes nunca imaginou não ter, nem sentir… a falta de liberdade.

Pode ouvir a história completa aqui.