Jovens trabalhadores abandonam a banca à procura de melhores oportunidades
- 19/11/2025
- Atualidade
Três em cada dez jovens que entram na banca saem pouco depois. A estabilidade já não chega, a falta de valorização, progressão e adaptação às novas gerações afastam talentos de um setor em transformação digital.
Nos últimos anos, registou-se um aumento de jovens no setor bancário, estima-se que cerca de nove por cento dos colaboradores tenham até de 30 anos. Contudo, a rotação dos jovens na banca situa-se nos 30%. De acordo com a Ernst&Young (EY), os jovens permanecem nas instituições bancárias durante uma média de 1,2 anos. Esta curta permanência é consequência de diversos fatores, nomeadamente a procura de melhores condições no mercado de trabalho.

“Indiscutivelmente, a remuneração é o fator central que dificulta a retenção de jovens talentos”, explica Paulo Gonçalves Marcos, presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB). O setor tem vindo a conquistar menos jovens devido à falta de transparência nas carreiras, ao desequilíbrio entre vida pessoal e profissional e uma cultura ainda pouco adaptada às suas expectativas. A digitalização e a redução de balcões estão a transformar o trabalho bancário, tornando-o diferente, mas não dispensável. “O core do negócio da Banca existe há muitos séculos. A digitalização apenas mudará o perfil do bancário do futuro”, acrescenta.
O baixo valor do salário médio no setor é entendida pelo sindicato como fonte de instabilidade. A falta de valorização salarial e o foco em funções especializadas afastam quem procura reconhecimento e progressão.
Joana Maia, de 28 anos e ex-colaboradora bancária, abandonou a instituição após três anos a desempenhar funções na área comercial. A desmotivação começou com a fraca liderança, na época da pandemia. O banco demonstrou alguma dificuldade na gestão da equipa devido às restrições para o funcionamento dos balcões. Joana admite que nunca é fácil trabalhar com pressão, mas que sempre esteve habituada a lidar com objetivos por cumprir. “Não acho que o problema aqui seja a pressão para cumprir objetivos, mas sim a forma como as lideranças pressionam” refere.