A ficha caiu: há cada vez mais jogadores a desligar-se dos jogos online
- 19/11/2025
- Atualidade Portugal
Mais de 350 mil utilizadores pediram suspensão voluntária das contas de jogo online em Portugal, um aumento de 36% face a 2023, segundo dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos. O número recorde reflete, segundo especialistas, uma maior consciencialização sobre os riscos associados ao jogo. Atualmente, são registados cerca de 200 novos pedidos por dia e, só entre janeiro e junho de 2025, foram desativadas cerca de 34 mil contas.
Para muitos jogadores, a decisão de se afastar surge após perdas financeiras significativas. É o caso de Tomás, de 19 anos, que começou a jogar ainda na adolescência, por diversão. Participava em apostas desportivas e slots de casino online, até que o hábito se tornou prejudicial. “Acaba por crescer um bichinho dentro de nós, queremos sempre mais e mais”, confessa. Casos como o de Tomás ajudam a explicar o recorde de pedidos de autoexclusão registados em Portugal, fenómeno que especialistas associam a uma crescente consciencialização sobre os riscos do jogo online.
O jovem tomou a decisão de se autoexcluir depois de fazer uma reflexão e perceber que o jogo estava a afetar a sua vida “Gastei muito dinheiro nos últimos meses, pensei que devia parar, pois podia usar aquele dinheiro de uma forma melhor, mais saudável e certa”, admite. Tomás confessou que pensou várias vezes em deixar de aceder aos jogos online, mas acabava sempre por continuar influenciado pelo seu grupo de amigos. Referiu que descobriu o mecanismo de suspensão voluntária através do Leonardo Carvalho, um amigo que foi o primeiro do grupo a desligar-se. Uma decisão que permitiu que outros membros do grupo como o entrevistado ganhasse coragem e conseguisse finalmente tomar a tão desejada decisão de mudar de estilo de vida.
Questionado sobre que conselhos daria a alguém que tenha pensado em autoexcluir-se, respondeu emocionado: “Simplesmente faça, não tenha medo de admitir os seus problemas e procurar uma solução. Por vezes, achamos que estamos a ser fracos, mas na realidade é preciso ser muito forte para encarar os problemas”.

Fotografia: Bruno Lima
Para André Fialho, especialista em comportamentos abusivos, o aumento de pedidos é positivo, pois representa uma maior consciencialização por parte dos utilizadores .“A pessoa pede para ela própria mais segurança e mais limites. É uma coisa boa”, afirma.
Apesar da subida de bastante significativa dos dados de autoexclusão, o psicólogo considera que a medida isoladamente não é eficaz, por poder transmitir uma falsa sensação de controlo, pelo que deve ser acompanhada de psicoterapia. Para André Fialho, a resposta ao formulário de autoexclusão deve ser sempre o primeiro passo a dar e admite que com os seus pacientes começa sempre por aí, “Aqui em terapia com os meus pacientes, faço uma certa pressão para que todos preencham o formulário de autoexclusão”.
Bruno Lima