Jornalismo Frankenstein XI: um acelerador da experiência à ação
- 08/04/2026
- Sem categoria
7 de abril de 2026, 9h30-13h30

Eram 9h do dia 7 de abril, quando foram entrando os primeiros estudantes para o Salão Nobre da Universidade Lusófona — Centro Universitário do Porto, para assistir à XI edição do Jornalismo Frankenstein que este ano assumiu, pela primeira vez, o formato de workshops. Focado na transmissão de experiências e de conhecimentos, o “Jornalismo Frankenstein” é um espaço de reflexão anual dos estudantes finalistas da Licenciatura em Ciências da Comunicação, para trazer à academia profissionais da área dos média, criando um espaço livre de experimentação e diálogo.
A sessão abre assim com a intervenção da docente de Transmedia e Narrativas Híbridas, Vanessa Rodrigues, a qual reforça o carácter inovador da sessão deste ano. “Estava na altura de mudar, de passar do formato de conferência para esta modalidade de boot camp, onde cada uma dos profissionais nos vai dar a experienciar um pouco da sua rotina produtiva, desafiando os e as estudantes a colocarem em prática algumas dessas tarefas.”
#infomedia, a plataforma onde o texto ganha vida
Remy Marques e Filipa Teixeira foram os moderadores desta primeira sessão da manhã. Ambos frisam a ideia da docente, reforçando o agradecimento a todos que estavam presentes. Filipa Teixeira destaca a importância de ligar os estudantes à prática: “Queremos trazer o jornalismo para mais perto da realidade e colocá-lo no centro da experiência”.
As estudantes Leonor Figueiredo e Maria Almeida apresentam o #infomedia, criada em 2014 na Universidade Lusófona do Porto pela professora Vanessa Rodrigues, em parceria com os estudantes de Jornalismo desse ano letivo e com o apoio do então diretor de curso, Luís Miguel Loureiro. “Nesta plataforma temos a oportunidade de colocar em prática algumas das atividades do Jornalismo, experimentando essa responsabilidade”, diz Maria Almeida.
As estudantes elucidam os presentes na sala, reforçando que o objetivo da plataforma é simples: possibilitar “um contacto direto com o jornalismo e com a escrita”, mas sem esquecer as novas ferramentas digitais. As estudantes explicam também sobre a organização do website, passando pelo menu principal às categorias, desde da maneira de como as notícias e as reportagens são realizadas e estruturadas, com imagens, títulos e até conteúdos multimédia. Apresentam a plataforma como sendo algo para além de um lugar para publicar textos, acrescentam que “o #infomedia é um espaço de conhecimento, que permite os estudantes a terem ligação direta com a prática jornalística, sempre com a orientação da docente que certifica o rigor dos textos dos estudantes”. Assim, o “#infomedia permite que os alunos publiquem trabalhos reais, com revisão da professora”.
Com o continuar da apresentação, é frisado o crescimento da plataforma, seguindo as transformações e a evolução do jornalismo digital. A aposta em conteúdos de multimédia e o progresso de aptidões técnicas demonstram que o jornalismo atual requer uma adaptação constante e uma versatilidade.
Helena Nascimento, finalista da Licenciatura em Ciências da Comunicação relata a sua experiência com o #infomedia. O seu testemunho resume a sua vivência de forma eficaz, mas significativa, o site é uma ferramenta que só se chega longe pela tentativa. A estudante relembra as dificuldades sentidas no início, desde inseguranças, conteúdos de multimédia em condições adversas até erros técnicos: “O #infomedia é uma ferramenta muito útil, mas é na tentativa e no erro que conseguimos chegar ao resultado final”. Contudo, foi a “tentativa-erro” que se tornou crucial na sua evolução, valorizando assim o processo.
No final da apresentação, foram mencionados alguns relatos de antigos alunos que utilizaram a plataforma e como a experiência foi fundamental nas suas carreiras.

Três histórias distintas de viver o jornalismo
Fernando Coelho, ex-estudante de Ciências da Comunicação da Universidade Lusófona e atualmente jornalista no canal NOW e na CMTV, partilha como foi o seu percurso desde o desporto passando agora pelo jornalismo mais generalista. Salienta “a importância de se preparar antes de ir para o terreno” e de “entender o que é notícia do que não é”. Evidencia também a necessidade de recorrer a uma linguagem mais simples para que todos os públicos compreendam. Para ele, “o jornalismo de proximidade” é uma forma de aproximar as pessoas das problemáticas sociais do país.

Já a ex -estudante de Ciências da Comunicação da Universidade Lusófona e agora assessora imprensa do Futebol Clube do Porto, Mariana Vilela, revela-nos uma perspetiva diferente, destacada pela passagem do jornalismo para o campo da comunicação estratégica. O percurso profissional que apresenta demonstra que a jornada nem sempre é linear e que “ter a capacidade de adaptação é crucial”. Mariana conta que antes de trabalhar na comunicação do FCP, tinha as malas prontas para rumar a Lisboa, para frequentar um Mestrado, mas optou por agarrar este golpe de sorte. “Cheguei a pagar ainda 400 euros de inscrição, mas esta foi uma oportunidade que não podia perder.”

Rui Orlando, Jornalista da SPORTTV, é o convidado com mais experiência no Jornalismo. Passou pela rádio local, tem na bagagem a cobertura de acontecimentos internacionais no mundo do desporto. Evidencia que a responsabilidade e o rigor são pilares fundamentais desta profissão. Relembra ainda momentos significativos da sua vida, salientando que o equilíbrio é uma peça chave no jornalismo desportivo. “Um dos momentos que mais me marcaram foi a morte em campo do jogador de futebol Fehér, porque não sabíamos o que estava a acontecer e tinha de transmitir informação, porque estava em direto, mas não podia sair do sítio onde estava.” Orlando reporta-se ao evento de 25 de janeiro de 2004, quando esse jogador do Benfica sofreu uma paragem cardíaca fulminante durante um jogo contra o Vitória de Guimarães, no Estádio D. Afonso Henriques, caindo inanimado no relvado.
Da teoria à prática: Workshop de Fernando Coelho
O workshop do jornalista da NOW e da CMTV foi mais dinâmico e prático. Na primeira parte do mesmo, Fernando Coelho, compartilhou com os estudantes o seu percurso profissional e académico, possibilitando que os mesmos compreendessem melhor o caminho que o jornalista percorreu para chegar onde está hoje.
Posteriormente, foi pedido aos finalistas para colocarem a teoria em prática. Foi realizado um exercício em que tinham que se colocar no papel de jornalistas e simular um direto sobre os incêndios. O exercício permitiu-lhes experienciar a improvisação e a pressão. Seguidamente, o ex-aluno, aconselhou os alunos com dicas para ingressarem no mercado de trabalho.

Jornalismo desportivo: Workshop de Rui Orlando
Rui Orlando também teve direito a compartilhar com os finalistas as suas experiências como jornalista. Contou aos alunos a pressão que sente cada vez mais devido ao crescimento das plataformas digitais e ao recorrer das empresas às mesmas para que possam gerar visualizações e likes. O jornalista reforçou também a relevância de um jornalismo livre, destacando ainda o rigor como um dos pilares da profissão.
No final do workshop os estudantes tiveram a oportunidade de realizar um exercício prático, analisando um jogo do FC Porto contra o Famalicão. Puderam assim colocar-se no papel de um jornalista desportivo e interpretar e comentar as imagens que observavam.

Voz e Podcast sob visão de Mariana Vilela
Mariana Vilela partilhou o seu conhecimento sobre a voz e o podcast. Os estudantes tiveram a oportunidade de aperfeiçoar os seus conhecimentos sobre uma ferramenta essencial no mundo da comunicação. Foram debatidos os principais cuidados a ter com a voz, evidenciando o papel fundamental de preservar a saúde vocal, principalmente para profissionais que dependem da mesma no seu quotadiano.
Com o decorrer do workshop, foram elucidadas algumas das essências características da voz, como os diferentes tipos de timbre, a respiração, o ritmo e a articulação de palavras, possibilitando aos finalistas entender melhor os componentes que influenciam uma comunicação eficaz.
Numa fase mais prática da atividade, os alunos realizaram um exercício de respiração com o diafragma, técnica utilizada para aprender a controlar e rentabilizar melhor o ar durante a fala, contribuindo para uma melhor projeção vocal e resistência. Em seguida, os estudantes puderam pôr em prática os seus conhecimentos através de uma breve apresentação oral, onde relataram sobre a sua experiência de vida e os seus objetivos para a sua futura carreira, exercitando não só a sua capacidade de comunicação, mas também a confiança ao falar para outras pessoas.
Esta sessão possibilitou assim aos alunos compreender o valor da voz enquanto instrumento de comunicação e a maneira como a mesma pode interferir na transmissão de uma mensagem.
Fim do Jornalismo Frankenstein
O “Jornalismo Frankenstein” demonstrou ser um local de partilha, de aprendizagem e ir além de um evento académico. Passando por relatos dos convidados até exercícios práticos, os finalistas de ciências da comunicação ficam com uma ideia chave na cabeça, o jornalismo constrói-se com tentativas erro, com conhecimento e com prática. Para os estudantes esta sessão marca o início daquilo que poderá ser o seu futuro, onde a capacidade de adaptação, o rigor e a responsabilidade tem que estar sempre presente.









