Movimento LGB sem T causa fratura dentro da comunidade LGBTQIA+

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A LGB Internacional anunciou a separação do movimento LGBTQIA+ para se focar exclusivamente nas questões ligadas à orientação sexual, excluindo os temas de identidade de género. O anúncio foi feito através de um vídeo que rapidamente se tornou viral.

Para uns, trata-se de tornar a mensagem mais acessível, para outros é um passo atrás na visibilidade e no reconhecimento de todas as identidades, criando um debate intenso dentro do movimento LGBTQIA+.

A sigla LGBTQIA+ começou por representar apenas algumas letras, porém alargou ao longo das décadas para refletir tanto diversidade sexual como de género. A orientação sexual refere-se à atração amorosa ou sexual, enquanto a identidade de género é a forma como a pessoa se identifica internamente.

O movimento inspira-se na LGB Alliance, criada no Reino Unido em 2019. A Aliança LGB Portugal questiona: “Meteram letras que nada têm que ver umas com as outras e chamam a isso comunidade”? A organização explica que “não se trata de uma separação, mas de um voltar às origens“, de “recuperar a simplicidade do movimento original ” e “limpar o que têm andado a fazer em seu nome ”.

A decisão, anuncia a 19 de setembro, mereceu críticas por parte de associações LGBTQIA+. A ILGA Portugal afirma que “ao reduzir a sigla, também se retira espaço de fala e solidariedade a quem mais precisa”. Para a associação, “manter a sigla é afirmar que todas as identidades contam e que nenhuma pode ser deixada para trás”.

António Pereira, pessoa de género fluido e gay, defende que a medida é um retrocesso,“quando se tira o T da sigla está a enviar-se a mensagem de que as pessoas trans e não-binárias são descartáveis”. Segundo explica, “a exclusão nunca é neutra, é sempre uma forma de violência”. Na sua perspetiva, “o movimento ‘LGB sem T’ é ofensivo, inútil e perigoso, não há movimento LGB sem T, porque a luta sempre foi coletiva”.

António Pereira, membro da comunidade
Fotografia da autoria de António Pereira

Fora da comunidade, David, de 22 anos, acredita que “simplificar ajuda na compreensão do público e facilita as duas partes a conseguirem o que pretendem”.

Os defensores do movimento rejeitam o uso de pronomes específicos, criticam a transição médica em crianças, o acesso a casas de banho e a participação desportiva segundo a identidade de género. Afirmam que assim podem concentrar-se em direitos como casamento, adoção e proteção contra a discriminação.

Manifestante exibe bandeiras durante 2022 em
Aveiro
Fotografia da autoria de António Pereira