Passageiros denunciam percursos incompletos do autocarro 602 e falhas nos horários

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Passageiros denunciam percursos incompletos do  autocarro 602 e falhas nos horários

Os passageiros da linha 602 da STCP, que liga a Cordoaria ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, queixam-se de atrasos recorrentes, de autocarros que falham e de outros que não cumprem o percurso completo. Sindicato do setor atribui problemas da linha à falta de motoristas, enquanto a empresa imputa dificuldades aos constrangimentos de trânsito do percurso.

Os passageiros queixam-se do tempo de espera e da supressão de autocarros. Cláudia Pereira, de 44 anos, trabalhadora e utente da linha, queixa-se : ” Os autocarros demoram muito tempo. Às vezes, o que me salva é apanhar a camioneta, mas não chega até onde quero. Tenho de andar 15 minutos a mais porque o 602 não passa”. Já Marco Conceição, passageiro de 45 anos, acrescenta que é “indecente o tempo que as pessoas têm de esperar pelo autocarro”.

Autocarro 602 começa percurso na Cordoaria Fotografia: Helena Nascimento.

De acordo com o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN), José Manuel Silva, os atrasos são provocados pelo tempo de percurso que não chega para fazer o serviço, especialmente nas horas de ponta. O coordenador acrescenta que a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), neste momento, “tem falta de cerca de 100 motoristas” e que grande parte deles trabalha sete horas consecutivas, com pausas diárias de apenas cinco minutos.

Sobre as denúncias de que alguns motoristas não cumprem o trajeto completo, José Manuel Silva confirma: “Se estas situações acontecem é porque o motorista já vai muito atrasado e o controlador que o está a acompanhar pelo GPS, ao aperceber-se, manda-o voltar para trás e iniciar o serviço contrário, para não vir tão atrasado o seguinte.” Acrescenta o sindicalista que esta situação não é correta, mas, “é a forma que os controladores encontram para aclimatar o serviço”.

Questionada sobre o incumprimento do percurso, a STCP não responde à questão de forma direta. A empresa afirma que a linha atravessa zonas de elevado fluxo de trânsito, nomeadamente, na zona do Carvalhido, Monte dos Burgos, Hospital Santo António, Araújo, Custió e Padrão da Légua (Linhas STCP). Refere que os constrangimentos na linha são causados “por obras na via pública ou estacionamentos indevidos em segunda fila”. A empresa acrescenta que a linha apresenta duas variantes: uma que termina no Aeroporto e a que termina na Quinta de Moreira. Segundo a empresa, a diferenciação da linha resulta como um eixo de maior procura, “permitindo frequências mais regulares no percurso”.

Enquanto a STCP garante trabalhar continuamente para minimizar o impacto destas situações, o sindicato defende que deveriam ser tomadas medidas para melhorar os serviços, nomeadamente, contratação de mais motoristas. José Manuel Silva chama à atenção para esse problema: ” A administração da STCP levanta demasiados processos disciplinares e a grande maioria sem fundamento, o que leva os motoristas a despedirem-se e ir trabalhar para os privados”.

Entre justificações e promessas, a vida dos passageiros vê-se afetada. Os passageiros continuam à espera, mais do que o previsto, por um autocarro que cumpra o percurso até ao fim e dentro do horário estipulado.