Posto de combustível junto a habitações gera polémica em Lousada
- 19/11/2025
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A polémica instalou-se em Lousada com a construção de um posto de combustível na Avenida da Variante, junto a um prédio habitado e a uma moradia. Moradores dizem temer pela segurança e criticam a decisão da Câmara Municipal, que garante que o projeto cumpre todas as exigências legais.
“É um crime as bombas ali”, atira Mário Cunha, de 75 anos, que vive a poucos metros da construção. Para ele, “não é sítio para ter uma bomba em cima de casas”.
Maria de Fátima, de 69 anos, recorda que já no projeto inicial do loteamento estava prevista a existência de um posto de combustível, mas nunca acreditou que avançasse. “Achei desumano meter ali umas bombas de gasolina, com os bidões encostados à casa. Se um dia explode, vamos voar com ela”, desabafa.
Rui Alves, camionista de 52 anos, vive literalmente parede com parede com o posto. “O muro da minha casa faz muro com o posto”, descreve. Lamenta que a Câmara “não tenha ouvido quem mora ali” e considera a decisão “uma aberração”. “Tenho a minha casa para descansar, não para ouvir uma quantidade de carros a entrar e a sair de uma bomba”, critica, defendendo que o terreno “devia ter sido aproveitado para um jardim ou parque infantil”.
Outros moradores partilham o mesmo sentimento. Elisabete Ribeiro, de 45 anos, considera “perigoso” ter as bombas “tão junto às casas”, enquanto Liliana, também de 45 anos, residente há 18 anos, confessa que “nunca acreditou” que o projeto fosse mesmo construído. “Ainda por cima, em frente à minha varanda. Não me sinto confortável”, afirma.
Nem todos veem a obra com maus olhos. Um responsável por um estabelecimento instalado no prédio, que pediu para não ser identificado, entende que o posto pode trazer “mais visibilidade” ao negócio e servir de ponto de referência na zona.
Confrontado com a situação, o atual presidente da Câmara de Lousada, Nélson Oliveira, responde que “este processo está aprovado e bem aprovado”. O autarca sublinha que “não há qualquer impedimento nem legislação que proíba” e lembra que o posto já estava previsto no “loteamento aprovado em 1992”, sendo que “todas as pessoas que construíram habitações posteriormente tinham essa informação”.
O ULP Infomedia contactou também o Departamento de Urbanismo da Câmara Municipal de Lousada e a empresa responsável pela obra, Conduccta S.A., mas não obteve resposta até à data de publicação.
De acordo com a Portaria n.º 131/2002, que regula a instalação de postos de combustível, as bombas de gasolina e gasóleo devem ficar a pelo menos dois metros de edifícios habitados e a dez metros de espaços que recebam público, como cafés ou clínicas. No caso de abastecimento de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), as distâncias aumentam para dez e 17 metros, respetivamente.