Câmara constrói 19 casas de renda acessível em Águas Santas para travar a crise habitacional
- 19/11/2025
- Atualidade Habitação

A Câmara Municipal da Maia está a construir um novo edifício de habitação pública na Rua D. Afonso Henriques, em Águas Santas, com conclusão prevista para meados de 2026. A obra, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e no âmbito do programa 1.º Direito, vai disponibilizar 19 fogos para arrendamento apoiado e reduzido, com o objetivo de responder à crescente dificuldade de acesso à habitação no concelho.
A intervenção faz parte da Estratégia Local de Habitação, que identifica mais de 800 famílias com carência habitacional. O projeto inclui também uma nova via de ligação ao centro cívico e um edifício em ponte, solução que, segundo a Espaço Municipal, “permitirá fechar uma frente urbana inacabada”.

Imagem disponibilizada pela Espaço Municipal.
As habitações vão distribuir-se por várias tipologias – um T0, dez T1, cinco T2 e três T3 – e destinam-se a duas modalidades de arrendamento. Na renda apoiada, têm prioridade agregados em situação de emergência social, como famílias a viver em condições indignas. Já na renda reduzida, serão valorizados jovens até aos 35 anos, idosos com dificuldade económica e residentes ou trabalhadores no concelho, especialmente aqueles com taxa de esforço elevada face aos custos atuais do mercado de arrendamento.
Segundo Nuno Lopes, administrador executivo da Espaço Municipal, o investimento de 3,3 milhões de euros é essencial para responder “a uma carência habitacional tremenda que se agravou ao longo dos últimos anos”, sublinhando que a crise atual “não é tanto de falta de habitação, mas de acesso à habitação”. O responsável explica ainda que a ambição passa por “construir contextos habitacionais que sejam qualificados”, sem estigmas associados à habitação social do passado.


Embora a obra não tenha causado grandes transtornos à população, alguns residentes salientam a falta de informação durante o processo. Referem que “não perceberam bem porque é que algumas partes foram destruídas “ e consideram que “os moradores deviam ter sido informados sobre o que ia acontecer desde o início”. Apesar disso, admitem que a intervenção é claramente positiva, na medida em que “vai melhorar os acessos à junta de freguesia e apoiar famílias com dificuldades de acesso à habitação”.
Sobre o facto de terem sido destruídos elementos já construídos, Nuno Lopes confirma que “alguns pedaços, efetivamente, tiveram de ser desfeitos”, justificando que estão em causa “processos distintos” e que nem todas as variáveis são controladas pela mesma entidade.
O administrador reconhece atrasos “muito associados à falta de mão de obra e problemas no fornecimento de materiais”, mas mantém a confiança no calendário estabelecido, “Acredito que vamos conseguir cumprir os prazos”, disse.