Câmara constrói 19 casas de renda acessível em Águas Santas para travar a crise habitacional

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Construção do novo edifício de habitação pública em Águas Santas

A Câmara Municipal da Maia está a construir um novo edifício de habitação pública na Rua D. Afonso Henriques, em Águas Santas, com conclusão prevista para meados de 2026. A obra, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e no âmbito do programa 1.º Direito, vai disponibilizar 19 fogos para arrendamento apoiado e reduzido, com o objetivo de responder à crescente dificuldade de acesso à habitação no concelho.

A intervenção faz parte da Estratégia Local de Habitação, que identifica mais de 800 famílias com carência habitacional. O projeto inclui também uma nova via de ligação ao centro cívico e um edifício em ponte, solução que, segundo a Espaço Municipal, “permitirá fechar uma frente urbana inacabada”.

Plano do novo edifício de habitação pública na Rua D. Afonso Henriques, em Águas Santas (Maia).
Imagem disponibilizada pela Espaço Municipal.

As habitações vão distribuir-se por várias tipologias – um T0, dez T1, cinco T2 e três T3 – e destinam-se a duas modalidades de arrendamento. Na renda apoiada, têm prioridade agregados em situação de emergência social, como famílias a viver em condições indignas. Já na renda reduzida, serão valorizados jovens até aos 35 anos, idosos com dificuldade económica e residentes ou trabalhadores no concelho, especialmente aqueles com taxa de esforço elevada face aos custos atuais do mercado de arrendamento.

Segundo Nuno Lopes, administrador executivo da Espaço Municipal, o investimento de 3,3 milhões de euros é essencial para responder “a uma carência habitacional tremenda que se agravou ao longo dos últimos anos”, sublinhando que a crise atual “não é tanto de falta de habitação, mas de acesso à habitação”. O responsável explica ainda que a ambição passa por “construir contextos habitacionais que sejam qualificados”, sem estigmas associados à habitação social do passado.

Nuno Lopes, Administrador Executivo da Espaço Municipal

Embora a obra não tenha causado grandes transtornos à população, alguns residentes salientam a falta de informação durante o processo. Referem que “não perceberam bem porque é que algumas partes foram destruídas “ e consideram que “os moradores deviam ter sido informados sobre o que ia acontecer desde o início”. Apesar disso, admitem que a intervenção é claramente positiva, na medida em que “vai melhorar os acessos à junta de freguesia e apoiar famílias com dificuldades de acesso à habitação”.

Sobre o facto de terem sido destruídos elementos já construídos, Nuno Lopes confirma que “alguns pedaços, efetivamente, tiveram de ser desfeitos”, justificando que estão em causa “processos distintos” e que nem todas as variáveis são controladas pela mesma entidade.

O administrador reconhece atrasos “muito associados à falta de mão de obra e problemas no fornecimento de materiais”, mas mantém a confiança no calendário estabelecido, “Acredito que vamos conseguir cumprir os prazos”, disse.