Falta de efetivos na PSP põe segurança pública em risco

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Reformas em massa e recrutamento insuficiente podem deixar esquadras sem agentes nos próximos anos. Governo acusado de adiar soluções estruturais.

Patrulha da PSP nas ruas de Lisboa
Fotografia da autoria da Polícia de Segurança Pública

A Polícia de Segurança Pública enfrenta a maior crise estrutural da história. Com mais de um quarto dos efetivos próximos da pré-reforma e entradas insuficientes, a instituição corre o risco de perder milhares de agentes nos próximos anos. Segundo dados do Balanço Social da PSP, a idade média dos polícias ultrapassa os 49 anos, e mais de 5000 elementos estarão em condições de se aposentar até 2026.

A escassez de efetivos já é visível em várias esquadras. “Há cada vez menos agentes disponíveis e mais tarefas a cumprir. A sociedade é mais exigente e o trabalho multiplica-se”, afirma um polícia com 26 anos de serviço, que prefere manter o anonimato. O agente diz-se desmotivado com “a falta de reconhecimento e a estagnação das carreiras”, admitindo que muitos colegas abandonaram a profissão “por injustiça salarial e ausência de apoio institucional”.

A situação agravou-se com a criação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), após a extinção do SEF, sem reforço de meios humanos. Para o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Santos, “a escassez de efetivos e o envelhecimento do quadro resultam de anos de desinvestimento e falta de sensibilidade política”. O dirigente alerta que “a PSP está num estado de colapso apenas disfarçado pelo esforço extremo dos profissionais”.

O sindicalista lembra que a ASPP “tem constantemente alertado os sucessivos governos para esta realidade e para os impactos que estes problemas têm, não só junto dos profissionais, mas também nas populações”. Segundo Paulo Santos, “as respostas dos governos, apesar de pequenos avanços, têm sido redutoras. Existe claramente uma desvalorização irresponsável da parte dos sucessivos executivos, o que acabará por culminar em situações graves, porque estamos a falar de segurança pública”.

No ano passado, o Governo aprovou um suplemento de risco de 300€, medida vista como paliativa, mas que não resolve o essencial: salários dignos, progressão justa e pré-reforma funcional.

Caso nada mude, as projeções apontam para esquadras com efetivos mínimos, tempos de resposta mais longos e sem medidas urgentes não haverá polícia para todos.