Vida universitária após os 60, um exemplo de que aprender não tem idade na Universidade Sénior de Melres e Medas
Num concelho marcado pelo envelhecimento da população, a Universidade Sénior de Melres e Medas, em Gondomar, mobiliza atualmente cerca de 100 alunos em 11 disciplinas, que cruzam aprendizagens como a atividade física, tecnologia e cultura. Mais do que aprender e ocupar o tempo livre, este projeto tem vindo a assumir-se como resposta ao isolamento social na terceira idade, promovendo assim o bem-estar físico e mental, convívio e sentido de pertença entre a população sénior das freguesias.

Num dia chuvoso e frio de novembro de 2025, os estudantes da Universidade Sénior de Melres e Medas, em Gondomar, no distrito do Porto, saíram de casa para a aula de Walking Football, conduzida pela professora Dulcineia Ramos e pelo professor Rui Barbosa. A sessão inicia com um breve aquecimento, por isso, os estudantes andam à volta do campo, para evitar lesões. De seguida, dividem-se em três equipas com cinco membros cada. O jogo começa e duas equipas ficam no campo. Há outra do lado de fora a fazer um exercício de preparação. A bola começa a rolar no campo, o som das sapatilhas em contacto com o chão faz-se ouvir juntamente com a voz do professor com o sonante “falta”. Escuta-se muitas “faltas” e “foras de campo”.

O golo demora a surgir, mas quando acontece é uma verdadeira alegria por parte da equipa vencedora. Todos têm a oportunidade de jogar e contactar com a bola. Existe alguma discordância, mas acaba por ser tudo fruto do calor do momento e da competição. No final o ambiente é de convívio e de dever cumprido.

Maria Martins decidiu inscrever-se para evitar ficar sempre em casa. Os colegas incentivaram-na e rapidamente passou a integrar várias atividades. Afirma, divertida, que é “mais maria rapaz” e que “jogar à bola” é a sua aula preferida. Descreve o ambiente como muito feliz e cheio de alegria, onde todos se motivam mutuamente.
O professor Rui Barbosa ingressou na universidade através de convite direto. Para o professor “é gratificante” receber demonstrações de carinho por parte dos alunos. As aulas dadas em parceria são fáceis e flexíveis, na medida em que existe comunicação entre os dois professores e capacidade de adaptação. Por fim, Rui recomenda esta experiência “tanto a pessoas ligadas à área do exercício físico, como também à população mais idosa”.
Quando a universidade sénior eleva a auto-estima
Filomena Barros Rocha, de 68 anos, conta-nos a sua história sem reservas. Sempre viveu em movimento. Filha mais velha, assumiu responsabilidades desde cedo, afastando-se dos estudos para ajudar a família. Estudou até à 4ªa classe. A partir daí, para Filomena “estudar era uma máquina de costura”. Construiu um percurso profissional longo e exigente, marcado por diferentes funções e contextos. A vida ensinou-a a adaptar-se, a resolver e a seguir em frente.

Mesmo após a reforma antecipada, decidida para apoiar a filha e os netos, Filomena nunca abrandou. Estar ativa sempre fez parte da sua identidade. “Não sei estar parada”, diz, explicando que a atividade diária é essencial para o equilíbrio físico e emocional.
Esse equilíbrio foi profundamente abalado quando recebeu o diagnóstico de cancro. A doença marcou um dos momentos mais difíceis da sua vida, trazendo “medo, incerteza e uma maior consciência da fragilidade do corpo”. O tratamento “foi exigente, física e emocionalmente”, mas Filomena fala desse período de uma forma direta. “Foi bom e foi mau, mas ainda conseguiram tratar-me”. A experiência alterou a forma como passou a olhar para a saúde, o tempo e as prioridades.
Foi precisamente nesta fase mais complicada que o papel da filha se tornou determinante. Percebendo o impacto emocional da doença e o risco de isolamento, incentivou-a a procurar a Universidade Sénior. A sugestão surgiu como um convite para voltar a sair de casa, ocupar a mente e, sobretudo, reencontrar uma rotina ativa. Filomena admite que esse empurrão foi decisivo para dar o primeiro passo.
Depois do cancro, a saúde física ganhou um significado ainda mais profundo. Manter o corpo em movimento deixou de ser apenas um hábito e passou a ser uma forma de recuperação e prevenção. Na Universidade Sénior de Melres e Medas, em Gondomar, as aulas de atividade física e ginástica ajudaram-na a retomar rotinas regulares de exercício, sempre com respeito pelos limites do corpo. Filomena afirma que “estas aulas são essenciais para manter o equilíbrio, a mobilidade e a autonomia no dia a dia”.
Para além da componente física, frequenta disciplinas como Património e Arte Floral, que complementam o exercício com estímulo intelectual e criativo. As visitas de estudo, como por exemplo as realizadas à Assembleia da República e Mamoa de Brandião, permitem a Filomena “olhar para os lugares com mais atenção e compreensão”, enquanto os trabalhos manuais despertam novas motivações. Ainda assim, sublinha que é o exercício físico que sente como mais determinante para a sua qualidade de vida.
Filomena reconhece que “o grupo é diverso e que nem todos são iguais”, mas vê nessa diversidade “uma riqueza”. Sair de casa, cumprir uma rotina e partilhar experiências contribuem para o seu bem-estar global.
Hoje, Filomena encara esta fase da vida com consciência e determinação. Ultrapassar o cancro e aceitar o incentivo da filha marcaram um ponto de viragem. Na Universidade Sénior, encontrou um espaço onde investe diariamente na sua saúde física, recupera confiança no corpo e reafirma a vontade de viver de forma ativa.
| O contributo das Universidades Séniores no bem-estar na terceira idade Cláudia Barbosa, residente em Gondomar e licenciada em Psicologia, acompanha de perto questões relacionadas com a saúde mental e envelhecimento ativo. Cláudia ressalta a importância do sentimento de pertença, explicando que “integrar um grupo estável e acolhedor contribui para a identidade social e para o bem-estar psicológico, oferecendo segurança, apoio e motivação para manter hábitos saudáveis”. Segundo explica, a participação regular em atividades físicas, cognitivas e culturais ajuda a manter a mente estimulada, fortalece o equilíbrio emocional e promove uma sensação real de competência e utilidade. “Para muitos séniores, voltar a aprender e a participar ativamente reforça a autoestima e diminui o risco de depressão, ansiedade e sentimentos de vazio após a reforma”, acrescenta. Cláudia destaca ainda que “as universidades séniores desempenham um papel fundamental na promoção do envelhecimento ativo”. Estes programas oferecem oportunidades de aprendizagem e convivência que reduzem o isolamento e reforçam a saúde mental dos idosos. Para maximizar o impacto destas iniciativas, considera essencial disponibilizar atividades diversificadas, garantir ambientes inclusivos, promover a participação ativa dos próprios idosos na definição das atividades e assegurar que os professores têm sensibilidade para trabalhar com esta faixa etária. Recomenda também o desenvolvimento de iniciativas que juntem diferentes faixas etárias, aproximando escolas, famílias e comunidade, o que aumenta o sentido de utilidade e conexão social. |
“Aqui é o nosso porto seguro”
Noutra manhã fria de dezembro de 2025, no Pavilhão dos Bombeiros de Melres realiza-se a aula de Atividade Física e Lazer. Do lado de fora sente-se o frio típico da época, mas cá dentro o ambiente é animado e acolhedor. Perto de uma das balizas do pavilhão, encontra-se o Sr. Motinha, como é tratado amigavelmente pelos colegas, ansioso pelo início da aula. Aguarda expectante pelas indicações da professora e é o primeiro a arrancar em passo acelerado com o taco de hóquei na mão.

A dinâmica é criativa, o grupo é dividido em três atividades distintas: mobilidade (tapete), raquetes e equilíbrio de um balão e hóquei com bola e disco. O exercício permite tornar as atividades apelativas e motivadoras para os alunos.
Os alunos são embalados pela voz da professora Dulcineia a dar indicações e o eco vai repetindo essas mesmas palavras, como se pretendesse reforçar a mensagem. À mistura escuta-se os tacos de hóquei a bater no disco e no chão, sinal claro de movimento por parte dos alunos.

Durante a aula, os alunos partilharam as suas motivações, rotinas e o impacto que a Universidade Sénior tem tido no seu dia-a-dia. Os testemunhos revelam um ponto comum: a universidade tornou-se um espaço de convívio, bem-estar e redescoberta pessoal.
Rosa Santos conta que se inscreveu para fugir às rotinas e “ocupar a mente”, encontrando aqui um local de convívio onde reencontra pessoas que fizeram parte da sua vida escolar. Admite que no início hesitou por ter de apoiar a filha no café da família, mas com a situação mais estável acabou por se inscrever, juntamente com o marido. Para Rosa, o ambiente é leve, saudável e cheio de boa disposição: “Aqui é o nosso porto seguro”.
Já Maria Nunes conta que procurou a universidade de modo a apaziguar o stress e a hipertensão. Reconhece que o exercício físico é uma grande mais-valia, embora sinta algumas dificuldades na realização dos exercícios. Admite que a sua inscrição foi por incentivo de outras pessoas, inclusivamente do Presidente da Junta. Hoje afirma que a decisão lhe fez muito bem e elogia o bom ambiente entre colegas e professores: “Toda a gente se dá muito bem”.
Esta aula é lecionada pela professora Dulcineia Ramos, onde colabora de forma voluntária. O seu percurso com a população sénior começou antes da criação da universidade, quando integrou um projeto de atividade física promovido pela Junta de Freguesia. Quando a Universidade Sénior surgiu, foi naturalmente convidada a continuar, e o número de alunos “duplicou, triplicou, quadruplicou”, recorda.

Dulcineia, ou Neia, como é carinhosamente chamada pelos alunos e alunas, nota que, ao contrário do que acontecia no início, hoje os séniores reorganizam o tempo para priorizar atividades que os valorizam. Afirma que os alunos “começaram a colocar-se a si próprios também num lugar importante da vida deles”.
A dimensão emocional e social assume grande importância. “O impacto mais visível é a socialização”. A professora destaca que muitos alunos chegam com ansiedade, solidão ou depressão, e que a rotina de sair de casa e conviver tem um efeito transformador.
Também observa melhorias motoras, sobretudo no equilíbrio e na mobilidade. Sabe que não se trata de desenvolver novas capacidades, “mas sim de preservar as existentes e adiar perdas naturais associadas ao envelhecimento”. A diversidade de origens dos alunos, vindos de Sebolido, Rio Mau, Melres, Medas, Sarnada, Covelo, entre outras localidades de Gondomar, amplia ainda mais o convívio e as redes de apoio.
Neia sublinha que “é preciso gostar realmente de trabalhar com esta população e conhecer as suas necessidades específicas”. Hoje, vê mudanças significativas no bem-estar dos alunos e na forma como encaram a própria vida.
“Aprender História é divertido”
Na disciplina de História Regional e Local, ensinada pela professora Ana Moreira, no espaço localizado atrás da Junta de Freguesia de Melres, a aula teve início mais cedo do que o previsto, fruto de uma alteração de horário.

Os alunos Maria Alzira, Otávio e Fernando são os resistentes que ficam até depois da aula acabar. Não perdem tempo a descrever o cenário vivido em aula. Todos dão a sua opinião. Revelam que primeiro aprendem na aula e depois vistam os locais, por exemplo, a Mamoa de Brandião em Aguiar de Sousa que é a próxima visita prevista. Começaram por aprender a História Geral de Portugal e foram aproximando até chegarem à sua área de residência. Conhecem a história mais próxima, visto que estudam as localidades da zona de Gondomar, terras que estes bem conhecem. A aula é uma mistura de partilha documental existente e das histórias que os séniores se lembram desses tempos. Histórias que, muitas vezes, não estão documentadas e são aprendidas através de testemunho oral. A aula é de muita partilha e troca de histórias e saberes.
A professora Ana Moreira, de 26 anos, revela que é uma experiência diferente e que nunca tinha ensinado esta faixa etária. Como já dava explicações e gosta de partilhar conhecimento, investigar e explicar não hesitou em integrar o projeto.
A professora pesquisa em livros antigos, o que nem sempre é fácil, e concilia esse trabalho com os testemunhos dos alunos. O entusiasmo dos séniores nas aulas é notório. Os alunos trazem materiais de casa, como por exemplo jornais e livros.
A história local é mais difícil de encontrar documentos factuais. Mas existe uma biblioteca em Melres que, de alguma forma, pode fornecer livros e informações.
Revela que existe uma boa relação entre os alunos e professores. Existe a partilha de conhecimento e ajuda entre os professores, principalmente entre esta professora e o professor Joaquim de Património cultural e paisagístico português. Aliás, numa das alterações, a sala de aula foi a casa de Filomena Barros Rocha, que abriu as portas para um momento de convívio entre alunos e professor. À volta da mesa, partilharam-se histórias, memórias e saberes, num ambiente informal que não dispensou a aprendizagem. Esta dinâmica repete-se pontualmente, mudando de casa em casa, reforçando a proximidade entre os séniores e transformando o património num tema vivido e sentido no quotidiano de cada um.
O homem dos três ofícios : fundador, professor e aluno
O professor Joaquim Soares é também uma das figuras centrais da Universidade. Mais do que aluno, é fundador, professor e um dos principais impulsionadores do projeto que hoje mobiliza cerca de uma centena de séniores na freguesia.
A ideia de criar uma Universidade Sénior nasceu após a sua participação numa palestra na Universidade Sénior de Gondomar. Foi nesse momento que percebeu que um projeto semelhante poderia ser uma mais-valia para Melres e Medas, freguesias envelhecidas, mas com grande vitalidade social. No regresso, contactou o Presidente da Junta de Freguesia e lançou o desafio. Após algum tempo de reflexão, o projeto avançou e Joaquim assumiu a responsabilidade de elaborar os estatutos, posteriormente aprovados pela Associação Rede de Universidades de Terceira Idade – RUTIS.
A universidade iniciou atividade com nove disciplinas e cerca de 40 alunos. Quatro anos depois, conta com 11 disciplinas e aproximadamente 100 inscritos. Para Joaquim, este crescimento confirma a necessidade que existia na freguesia: “havia uma carência muito grande em termos de resposta para as pessoas mais idosas”. Recusa o termo “velhos” e prefere falar de pessoas “menos jovens”, sublinhando o respeito que deve existir nesta fase da vida.
Professor durante 36 anos, Joaquim mantém uma ligação profunda ao ensino. Na Universidade Sénior leciona Património Cultural, disciplina que descreve como exigente a nível intelectual, mas altamente motivadora. Os alunos, diz, mostram-se interessados, participativos e abertos ao conhecimento. Para si, o património cultural é também uma ferramenta essencial para compreender o país e o seu potencial turístico, defendendo que Portugal se afirma cada vez mais através da valorização dos seus saberes e da sua identidade histórica.
Ser aluno aos 70 anos
Enquanto aluno, sente também os benefícios da universidade na sua própria vida. Refere melhorias ao nível físico, resultado da prática de atividade física e ganhos ao nível intelectual, mantendo-se ativo, curioso e envolvido na escrita e no estudo. Apesar de uma lesão recente o ter afastado temporariamente do desporto, continua a acompanhar de perto as atividades e o dinamismo da instituição.
Joaquim destaca ainda o ambiente vivido na universidade, marcado pela empatia entre alunos de diferentes idades, alguns com mais de 80 anos, outros com cerca de 60. Para si, “este convívio reflete o carácter acolhedor da freguesia, uma terra antiga, que associa à hospitalidade e ao bem-receber”.
O impacto da universidade vai além da aprendizagem. Joaquim observa mudanças claras no comportamento e na atitude dos alunos, explicando que “estão mais abertos, colaborantes e motivados”. Acredita ainda que “esta transformação se deve, em grande parte, à existência da Universidade Sénior, que trouxe estrutura, rotina e sentido de pertença à vida de muitas pessoas”.
Hoje, a procura ultrapassa a capacidade logística existente. Defende a necessidade futura de um espaço próprio, com melhores condições, para dar resposta ao crescimento do projeto. Para Joaquim Soares, a Universidade Sénior “é mais do que um espaço de aprendizagem”. Esclarece que “é um projeto de comunidade, dignidade e envelhecimento ativo”. Um projeto que, segundo afirma com convicção, “transformou vidas” – incluindo a sua.
O computador: dominar o “bicho de sete cabeças”
No último dia, a tarde começa e juntamente com ela a aula de informática. Os alunos sentam-se e colocam à frente o “bicho de sete cabeças” denominado computador. A luz entra pelas grandes janelas da sala de aula, e ilumina o espaço e aquece. Sendo assim, o aquecedor é dispensado da sua função e o sol toma as rédeas da situação. A claridade é inimiga dos ecrãs e chega a ser necessário baixar um pouco a cortina.

O exercício apresentado é a edição do poema “Mistério”. É um belo nome para um poema de Florbela Espanca, dedicado à chuva, uma alusão clara ao estado do tempo, que assenta que nem uma luva. Num dia chuvoso, um poema dedicado à chuva chega até a ser poético.
O ambiente é descontraído e marcado pela curiosidade. Os alunos partilham experiências que revelam o impacto da Universidade Sénior nas suas rotinas e na forma como se relacionam com a tecnologia.

Cristóvão Pereira frequenta a universidade há quatro anos e é um dos rostos mais assíduos. Confessa que gostava de ter computador em casa para complementar o que aprende, mas ainda assim a disciplina é uma das suas preferidas. Toma notas, participa e admite que desde que entrou na universidade vive “mais no ativo”, socializa mais e sente melhorias no bem-estar: “até deliro andar aqui neste ambiente”. Valoriza o convívio, mas sobretudo o conhecimento, destacando aprendizagens que considera úteis. Inscreveu-se logo no início do projeto e considera que foi “a melhor coisa que a freguesia fez”, recomendando a experiência a todos.

Maria Arminda Moreira está ainda a iniciar o seu percurso na área da informática. Depois de uma vida inteira dedicada ao trabalho, no restaurante, no café e no posto de combustíveis da família, percebeu que precisava de ocupar o tempo de outra forma. Procurava sair da rotina e encontrar algo que a preenchesse. Inscreveu-se sozinha, sem depender de ninguém. Sobre a disciplina de informática, admite que vai aprender aos poucos, mas sente-se motivada: “já ando bem-disposta, passo bem o tempo”. Para si, o ambiente entre colegas e professores é excelente e o balanço desta nova etapa é “muito positivo”.

Quem orienta a disciplina é Alexandra Vieira, professora de informática na ótica do utilizador. Integra o projeto desde o início, quando a universidade procurava alguém que pudesse assegurar a área tecnológica. Explica que as turmas se renovam todos os anos, mas o número de alunos mantém-se estável: entram uns, saem outros. Reconhece que o grupo é muito heterogéneo, com pessoas que nunca tinham ligado um computador e outras com mais facilidade. Por isso, adapta as aulas ao ritmo dos alunos e privilegia exercícios práticos, repetição e conteúdos que lhes sejam úteis desde escrever textos a usar aplicações do dia a dia.
Embora alguns considerem a disciplina básica para as capacidades que já tinham, Alexandra observa que para muitos este é o primeiro contacto real com computadores. Por isso, valoriza a autonomia em pequenos passos: “mexer não estraga”, insiste, encorajando-os a experimentar sem medo. Destaca, ainda, que para a maioria dos alunos estas aulas representam mais do que aprender informática — são um momento de convívio, partilha e rotina saudável. Muitos chegam receosos, mas acabam por ganhar confiança e independência.