De vintage a tendência:  a moda em segunda mão conquista os jovens portugueses

Voltar
Escreva o que procura e prima Enter
De vintage a tendência:  a moda em segunda mão conquista os jovens portugueses

Entre sustentabilidade, estilo e identidade, a moda em segunda mão está a transformar-se num movimento de peso entre os jovens portugueses. Plataformas como a Vinted e lojas vintage espalhadas por todo o país ganham novos públicos, revelando uma mudança de mentalidade no consumo e na forma de ver o vestuário.

Fonte: Diário Ecológico

O que antes era associado à necessidade, é agora sinónimo de autenticidade e consciência ambiental. A moda em segunda mão conquistou espaço no guarda roupa da geração Z, que vê neste tipo de consumo uma forma de se expressar e de contrariar o fast fashion. Para Alice Sousa, de 27 anos, criadora da página @ali_2handshop, no Instagram, o negócio começou por necessidade, mas tornou-se paixão. “Comecei a vender roupa em segunda mão com 13 anos, para ajudar nas despesas de casa. Hoje é o meu projeto de vida”, conta. A jovem vendedora destaca as diferenças entre o comércio físico e o digital: “Nas feiras, o contacto é direto, online é tudo mais à volta da imagem, exige boas fotografias e descrições detalhadas.” Alice dedica-se a escolher e a tratar manualmente cada peça. “São todas lavadas, arranjadas e passadas a ferro por mim. O processo é demorado, mas compensa”, afirma, sublinhando o impacto positivo do negócio: “Cada peça vendida é uma que deixa de ser produzida. Há roupa suficiente no mundo para as próximas seis gerações.” A mudança de público também é notória. “No início, vendia a pessoas mais velhas. Agora são os jovens que mais procuram. Querem qualidade, exclusividade e peças com história”, explica Alice, que acredita que o preconceito em torno da roupa usada “tem vindo a desaparecer”.

Entre esses jovens está Rita Ribeiro, de 20 anos, compradora assídua de roupa em segunda mão. “Acho que hoje em dia é uma tendência. Quase todos os jovens que conheço procuraram peças vintage”, diz. Para ela, o consumo deixou de ser apenas uma questão económica: “Começou pela sustentabilidade, mas agora é também estilo e identidade”. Rita vê nas redes sociais um papel fundamental nesta mudança. “Os influencers ajudaram muito. As pessoas começaram a ver o vintage como algo desejável”, afirma. Ainda assim, reconhece desafios: “Há quem se aproveite da tendência e venda peças comuns como vintage a preços elevados. É preciso saber comprar”. Sobre o impacto das plataformas digitais, a estudante considera a plataforma Vinted um marco, que conta já com 2,4 milhões de utilizadores portugueses e tem vindo a crescer gradualmente. “É mais acessível e prática. As lojas físicas têm um encanto especial, mas os preços online são muito mais em conta, explica. Na sua opinião, o futuro da moda em segunda mão “é promissor e veio para ficar”. E deixa um conselho: “Quem ainda tem receio devia experimentar. Sinto-me cada vez mais confiante e autêntica desde que mudei o meu estilo. Cada peça conta uma história”.

Entre sustentabilidade e expressão pessoal, o mercado de roupa em segunda mão, já não é apenas um nicho, é um espelho de novas gerações que valorizam o que é único, consciente e com passado.